Espírito dos Caminhos Errantes
Eu ser errante,
vago pelo mundo revirando as latas sujas da ilusão,
Procurando coisas perdidas nos becos escuros
desta cidade apocalíptica.
Falo sozinho,
canto uma canção perdida no tempo
Arranhada pela
minha voz já tão surrada,
Pelos gritos que a
alma reclama.
Meu corpo reclama
dos dias sofridos,
Fustigados pelo
chicote do destino.
Tantos açoites em
minhas costas,
Que nem sinto mais
a mão de meu algoz.
Tenho carregado a
loucura dos tempos
O amargo das falas
de homens incrédulos.
Ah, que fadiga!
Minha alma protesta!
Até quando terei
que respirar esta podridão,
Encasulado no
espírito de seres desumanos.
Neste juízo final ao qual pertenço, sofro por
demais!!
Os descaminhos desta geração, perversa e
insana,
fazem
de mim um filtro para suas atrocidades, mas eu resisto!
Perturbam a mente o espírito, macularam e degeneraram
as fibras conscientes,
Tentaram aniquilar este ser Errante, mas não
podem!
A luta travada por tantas gerações, não será
perdida para mãos mirradas dos infernos.
Enquanto houver a divindade na minha alma
Errante haverá esperança!
Meu corpo imaterial chora pelas almas
perdidas, tão jovens e já se foram.
Foram subvertidos por seres cadavéricos,
tendo seus sonhos esquartejados,
E aos poucos foram devorados pelo intitulado
dono das trevas.
Eis que ainda existe a salvação aos que estão
íntegros, puros.
Para estes os caminhos tendem a ser mais
suave.
Eu serei o peregrino destes que ainda sonham,
estarei na aurora do destino de cada um
Protegendo e vigiando sem esmorecer um só
minuto, pois estes não serão tragados
Pelas garras ardilosas do intitulado mal, ele
não cativará mais alma alguma.
Serei o guardião dos incultos dos néscios dos
enfraquecidos e covardes,
Carrego na minha essência o desejo de
vingança contra o mal,
Este desejo me blinda contra as hostes
opressoras ao qual estão sedentas pelo meu espírito.
Eu sou o Fantasma Errante, andarilho dos
caminhos obscuros, levo comigo a luz divina, a esperança do seres mortais.